Memória(s)






Certa vez um avô contava a seu neto que havia começado a tomar um remédio de memória muito bom e estava feliz.
- Que legal, Vô! E qual o nome do remédio?
- É... o nome do remédio é... Como é mesmo o nome daquela flor vermelha que a gente entrega para a namorada?
- Rosa?
-Isso! Ô Rosa, como é mesmo o nome do remédio de memória que eu tô tomando?


E é assim que quero começar esse texto, com uma piada ruim, porém engraçada (risos).
Estou com essa ideia de falar sobre isso há uns dois dias, mas não parei para sentar em frente ao computador e tentar explicar à vocês.
A nossa memória funciona de uma maneira que acho muito legal, sempre que lembramos de alguma situação, o que vem à mente não é uma imagem sólida do que estamos pensando, e sim um apanhado de sensações que o cérebro armazenou, por exemplo, se eu pedir que pense na lasanha que sua mãe costumava fazer, provavelmente, vai se lembrar do cheiro do molho que ela preparava, da massa sendo cozida, do queijo, do presunto, e isso vem trazendo outras sensações à tona, como o som da risada no almoço de domingo, sua mãe avisando para comer devagar pois ainda está  quente, talvez você se lembre do som da coca cola abrindo, e com certeza vai pensar na soneca que sempre vinha depois do almoço.
Estive pensando em minhas lembranças, sempre tive problemas em me lembrar com clareza as coisas que vivi; eu não lembro o nome da minha primeira escolinha, nem da minha primeira professora, mas estranhamente, me lembro de um moletom cinza que eu sempre usava nessa escola, e também me lembro que ela (a professora) sempre me dava um cafuné, sei que minha casa era gelada, e que parte da iluminação não funcionava; eu me lembro também que os dois primeiros dentes que perdi foram graças a um carinha que me atropelou com sua bicicleta. É estranho pensar em como a vida passa e tanta coisa muda, e é triste saber que não me lembro de tanta coisa... me pergunto se isso só acontece comigo.
Tenho todas essas memórias incompletas na minha mente, não lembro das primeiras festas de aniversário, mas consigo me lembrar do gosto de um açúcar verde que minha mãe (ou será que foi meu pai?), colocava para confeitar o bolo, sempre achei esse tipo de coisa curiosa. E falando em pai, fiquei muitos anos sem ver ou ouvir meu pai, consigo me lembrar de vários trejeitos, me lembro como ele dançava engraçado, e me lembro que era muito inteligente, mas por mais que me esforce, não consigo me lembrar como era a voz dele, nem como era sua risada, e acho que essa é a parte mais triste.
Lembro da sensação de segurar minha irmã pela primeira vez nos braços, aquele pacotinho bem gordinho e cheio de dobrinhas, me lembro de uma vez estar brincando com ela, e apesar dos avisos da minhã mãe, continuei balançando a criança até que tomei um jato de golfo bem no olho, lembro que era quente e tinha cheiro de queijo! (eca). Não consigo me lembrar de como foi a primeira vez que peguei um violão, mas com certeza aterrorizei os ouvidos do pessoal de casa, também não me lembro exatamente qual a primeira música que toquei em público, mas lembro que era uma guitarra azul, lembro que as luzes me davam calor, e minhas bochechas estavam muito vermelhas pois eu estava com muita vergonha. Foi uma catástrofe! Mas foi bem legal! 
Tenho certeza que você também deve estar pensando em várias lembranças da vida, e com certeza nossas listas são enormes, afinal, memórias são construídas o tempo todo.
E acho que é isso que estou querendo dizer, somos feitos de várias histórias, várias sensações, tristezas, alegrias, amores e desafetos, penso que sobretudo os desafetos. Uma vez li que depois de um trauma, uma situação difícil, nosso cérebro sofre uma mudança, e passa a agir diferente, graças ao conjuntos de sensações que aquela situação trouxe.
Somos lembranças, somos um conjuntos de emoções, de medos, de abraços e beijos; somos feitos de amor e ódio, somos arte, somos músicas, filmes, somos histórias, somos memórias.


fun fact: era para ter escrito isso há pelo menos 2 dias, mas eu esqueci! hehe

Fique bem, beba bastante água, não se esqueça de usar a máscara caso precise sair, mas caso não precise, fique em casa, pôra!

ósculos e amplexos.

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